sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Avião com time da Chapecoense cai na Colômbia

Resultado de imagem para por falta de gasolina morre o time do chapecó
Uma conversa entre o comandante do avião da Lamia com a torre do aeroporto de Medellín reforça a suspeita de que a falta de combustível foi a causa do acidente com o time da Chapecoense. Os enviados especiais à colômbia Lilia Teles e Wanderley Serbonchini estiveram na área do acidente e contam os detalhes das investigações e do trabalho das equipes de resgate.

O caminho até a localidade de Cerro Gordo, no município de La Unión, onde caiu o avião da Chapecoense, é estreito e tortuoso, em estrada de terra. Do ponto onde fica uma base da polícia nacional, para chegar até o local, só mesmo a pé. São alguns minutos pela frente. Já dá para imaginar a dificuldade para acessar o lugar do acidente e para retirar os sobreviventes e os corpos.

É mata. São poucos minutos de caminhada, mas com muita dificuldade. Dá para imaginar a dificuldade das equipes de resgate à noite, com chuva e muita lama. E uma visão muito triste, o avião completamente destruído. De um ângulo dá para ver onde o avião caiu. Ele entrou de bico na mata, arrancando as árvores, em direção à pista do aeroporto de Medellín. A parte menos danificada foi a traseira do avião, onde foi encontrada a maioria dos sobreviventes.
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As equipes de resgate fazem a segurança do local para guardar a fuselagem até a retirada dela. Policiais que foram os primeiros a chegarem ao local contaram histórias tristes do resgate. Era noite, chovia muito, havia muito barro, não havia luz suficiente. Eles levaram os sobreviventes e os corpos até chegar à base nacional, há um quilômetro de distância, para que o helicóptero pudesse fazer o resgate.

Os policiais falaram sobre o resgate do goleiro Fullton. Ele disse que não sentia as pernas, que sentia muito frio, e pedia água, e fez um pedido especial, para que não deixassem que ele morresse. As pessoas que trabalharam por mais de 24 horas em condições complicadas retirando sobreviventes e corpos também se sensibilizaram e fizeram homenagem: construíram uma cruz enfeitada com hortênsias, que deve ficar para sempre no local da tragédia.

O aeroporto José Maria Córdoba de Medellín, onde o avião da Lamia deveria pousar, fica a apenas cinco minutos de caminhada do local do acidente. Uma fonte de Polícia Nacional, que foi uma das primeiras pessoas a chegar no local do acidente, contou que ajudou no resgate da comissária Ximena Suárez. Ela estava lúcida, tinha poucos ferimentos e contou à equipe de resgate que o que causou a queda do avião foi falta de combustível.

Ela contou aos socorristas que as luzes do avião se apagaram e que a aeronave caiu rapidamente. No início da tarde rádios e jornais colombianos divulgaram as gravações da conversa da torre de controle do aeroporto de Medellín e o piloto Miguel Quiroga, comandante do voo. Na gravação o piloto diz:
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“Em aproximação, solicitamos prioridade para aproximação. Estamos com um problema de combustível”. Treze segundos depois, a torre responde e dá a entender que o avião da Lamia seria o segundo, naquele momento, com problema de combustível. Torre: Entendo que solicita prioridade para o pouso igualmente por problema de combustível, correto?

Piloto: Afirmativo. Torre: Ok, então lhe darei vetores para proceder ao localizador e efetuar aproximação em 7 minutos. Vetores são as coordenadas para o pouso. Dois minutos mais tarde, o piloto boliviano pede novamente vetores. Piloto: Lima-Mike 2933 solicita permissão para aproximação. O piloto insiste:

Piloto: Tenho emergência de combustível, senhorita. Por isso te peço de uma vez um trajeto final. Preciso descer imediatamente, Lima-Mike 2933. Torre: Capitão, você está em 2-1-0, preciso que baixe de seu nível. Teria que virar à sua direita para iniciar a descida. Piloto: Negativo, senhorita. Já estamos iniciando a descida e precisamos do localizador. Pouco depois ele diz:

Piloto: Senhorita, voo Lima-Mike 2933 está em falha total, elétrica total, sem combustível. Torre: Você está a 8,2 milhas da pista, que altitude tem agora? Jornais colombianos divulgaram o áudio de um copiloto da empresa Avianca que escutou a conversa do copiloto da Lamia e a torre de controle em Medellín. O Jornal Nacional confirmou a autenticada da gravação com uma fonte da Avianca.

A versão do piloto da Avianca é a mesma da aeromoça que sobreviveu ao acidente da Lamia.

“Solicitamos prioridade para proceder à pista. Solicitamos prioridade para proceder ao localizador. Temos problemas de combustível, agora temos falha elétrica total, ajuda, orientação, orientação, orientação para proceder à pista. E aí a coisa parou. Nós começamos a chorar no avião. Nós ficamos muito mal. E aí mesmo escutamos a torre também chamando o avião e a controladora chora, chora e chora pela frequência. Responda, responda, e não respondia”.

O jornal “El Tiempo”, de Bogotá, disse que o copiloto Juan Sebastián Upegui, da Avianca, será chamado para prestar depoimento. O piloto da Avianca estava num dos quatro aviões que se aproximavam do aeroporto de Medellín pouco antes do acidente. Eram as aeronaves da Lamia, que levava a delegação da chapecoense, uma da Avianca, uma da Latam e uma quarta da companhia Viva Colômbia, que estava indo para o Caribe e foi desviada para Medellín porque o piloto detectou um vazamento de combustível.

O Viva Colômbia pediu prioridade de pouso e os controladores atenderam ao pedido. Enquanto isso, o avião da Lamia voou em órbita, como mostra a imagem do site Flight Radar 24.

As características da aeronave vão ser consideradas na investigação. O Avro RJ 85, de fabricação inglesa, poderia voar a uma altitude de até 10.600 metros e conseguia percorrer três mil quilômetros de distância, com capacidade de combustível para ficar no ar cerca de quatro horas e meia.
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Calculando a rota entre Santa Cruz de la Sierra e Medellín, o voo deveria percorrer 2.985, quase o limite da autonomia. Quando chegou em Medellín, o avião já tinha voado quatro horas e 15 minutos. Tinha só 15 minutos de reserva.

Outro item que dá pistas para o que pode ter acontecido é o  plano de voo. Segundo especialistas, o piloto poderia ter feito uma escala para reabastecer em Cobija, extremo Norte da Bolívia, e dali retomar a viagem até Medellín, na Colômbia. Ou, então, fazer um pouso na capital Bogotá, antes de seguir para Medellín.

Numa gravação feita pouco antes da viagem a tripulante Sisy Arias se confunde ao falar das cidades.
“A Lamia, como sempre transportando a equipe de... nesse caso, a Chapecó, e levando até Medellín, Bogotá, à Colômbia, perdão”.

Segundo um especialista, a pane elétrica citada pelo piloto da Lamia na conversa com a torre pode ter sido causa pela falta de combustível - sem energia dos motores, também faltaria energia elétrica.

“A pane elétrica começou porque motor parou porque a turbina deixando de funcionar o gerador não gera energia e logicamente não tem energia no avião”, disse o piloto George Sucupira. Em entrevista ao jornal “El Tempo”, o general boliviano Gustavo Vargas, um dos diretores da Lamia, disse que o normal naquele voo teria sido fazer uma parada em Cobija, na Bolívia, para reabastecer.
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Em vez disso, o piloto preferiu seguir uma rota passando perto de Bogotá. Aí, de acordo com o diretor da Lamia, teria que avaliar se precisava ou não reabastecer em Bogotá antes de continuar para Medellín. Segundo o diretor da Lamia, se o piloto decidiu seguir em frente, é porque achou que tinha combustível suficiente.


Na primeira etapa da viagem, o zagueiro Filipe Machado, da Chapecoense, em tom de brincadeira, chegou a citar a cidade de Cobija, como uma das paradas da equipe.
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