quinta-feira, 16 de março de 2017

Raça Pit Bull: Especialistas desmistificam a imagem de vilão

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A morte de uma criança de seis anos em Ponto Belo, após ser mordida por um cão da raça Pit Bull, trouxe à tona uma antiga discussão sobre o comportamento do animal. Há quem coloque a raça na condição de vilão, violento, mas não é bem assim, segundo especialistas. Veterinários e adestradores desmistificam a ideia de que as raças de grande porte são mais agressivas e apontam a socialização e o adestramento do cachorro como pontos fundamentais para que quer ter um cão na família. 
"Não existe nenhuma raça perigosa. O que existe é cão socializado ou não. Pit Bull, como qualquer outro cão, tem total capacidade de conviver em sociedade. É claro que uma mordida de um pitbull faz um estrago maior que a de um animal pequeno pelas características dele, mas o poodle, o chihuahua, o chow-chow também vão morder, se forem ameaçados, mesmo que não haja intenção do humano,", explica o adestrador Leonardo Tschaen. 
A mordida, destacam os especialistas, é a resposta do animal quando ele se sente ameaçado, independentemente da raça. Por isso, todo cuidado é pouco quando há crianças em casa. 
"Uma criança não deve ser deixada sozinha em com um animal de grande porte, não só com o Pit Bull. Deve estar sempre supervisionada para entender bem a relação entre a criança e o cachorro", comenta a veterinária e comentarista da CBN Vitória, Tati Sacchi. 
O mito que colocou a raça Pit Bull como perigosa ganhou força a partir dos anos 2000 com a popularização do animal no Brasil. De acordo com o médico veterinário e professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) Breno Salgado, houve um crescimento no número de cruzamentos desses animais para utilizá-los em brigas. 
"As pessoas queriam que esses animais participassem de rinhas criminosas e de eventos esportivos. Mas não houve uma seleção de comportamento, um controle, uma socialização dos cães da raça Pit Bull, que ficaram com uma imagem de violentos, o que não é verídico", comenta. 
O ideal é que o cachorro seja socializado desde pequeno, mas nada impede a adoção de um cão mais velho, desde que acompanhado de profissionais habilitados para trabalhar as ações do animal. O professor explica que qualquer cachorro tem o comportamento de matilha, ou de subordinado ou de dominante. Por isso, a socialização do cão é importante para melhorar a convivência na família, usando situações de interação que o animal pode enfrentar com o ser humano e com outros bichos.
"Você deve adestrar o cachorro e criar situações que os cães passam com crianças, por exemplo, que costumam puxar o rabo do animal, tirar o brinquedo da boca do cão. E o adulto, aos poucos, vai trabalhando a reação do cachorro, sendo orientado por um adestrador, claro", defende Tschaen. 

MITOS SOBRE O PITBULL 

Todo Pit bull é perigoso
 
Não. Isso é um mito. Não existe nenhuma raça perigosa. Depende do nível de socialização do cão. Todos os cães podem morder. O problema maior é a força da mordida. 

Mesmo que o cão seja dócil, ele pode atacar de uma hora para a outra 

Normalmente não. Os cães costumam dar indícios do seu comportamento e muitas vezes isso pode passar despercebido. Ele pode rosnar, morder ou ataca caso se sinta ameaçado (sendo segurado/ abraçado no pescoço, com gritos, levando pedras, por exemplo), caso seja medroso.
 
Não posso ter um Pit Bull em uma casa com criança Pode. 

Existem animais que até são cuidadores de crianças. É importante destacar que não é ideal deixar a criança sozinha com o cachorro para evitar que os pequenos puxem o rabo, apertem o pescoço ou tenham qualquer outra ação que gere uma reação do animal.
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