sábado, 12 de dezembro de 2015

PMs do Bope acusados de vazar informações sobre operações tinham que dar ‘bom dia’ e ‘boa noite’ a traficantes

Segundo a promotora Angélica Glioche, do Ministério Público, existia um código de conduta da quadrilha
Os cinco policiais militares acusados de vazar informações sobre operações do Batalhão de Operações Especiais (Bope) - três deles lotados na própria unidade, considerado de "elite" da PM do Rio - tinham uma espécie de código de conduta para lidar com os traficantes. De acordo com a promotora Angélica Glioche, do Ministério Público, as regras de comportamento eram ditadas pelo chefe da quadrilha, o policial militar Silvestre André da Silva Felizardo.
— Felizardo dizia como eles deveriam se comportar. Existia um código de conduta, como por exemplo dar bom dia e boa noite aos traficantes. Eles também tinham que dar satisfação, mesmo que não houvesse operação — diz a promotora.
Segundo a promotora, os acusados - que recebiam propina em troca das informações - também pediam desculpas quando, mesmo tendo avisado sobre as operações, os policiais conseguiam fazer apreensões ou prisões nas favelas.
A Operação Black Evil, deflagrada na manhã desta sexta-feira pela Polícia Militar e pelo Ministério Público, cumpriu mandados de prisão preventiva contra PMs suspeitos de corrupção passiva. Os mandados foram expedidos contra os policiais Maicon Ricardo Alves da Costa, o Preto 1; André Silva de Oliveira, o Preto 2; Raphael Canthé dos Santos, o Preto 3, e Rodrigo Meleipe Vermelho Reis. O PM Silvestre André da Silva Felizardo, o Corinthians, que também teve a prisão decretada, é ex-integrante do Bope e atualmente está lotado no 15º BPM (Duque de Caxias), na Baixada Fluminense.
A operação foi resultado de uma investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público; da Coordenadoria de Inteligência da PM e da Corregedoria Interna da corporação. Segundo a denúncia do MP à Justiça, entre os meses de agosto e dezembro deste ano eles receberam propina de traficantes de nove comunidades do Rio e da Baixada Fluminense em troca de informações sobre operações do Bope. Eles também negociavam com traficantes armas apreendidas em outras ações do batalhão.
 O comandante do Bope, tenente coronel Carlos Sarmento, desconfiou quando as operações começaram a não apresentar resultado.
O comandante do Bope, tenente coronel Carlos Sarmento, desconfiou quando as operações começaram a não apresentar resultado Foto: Guilherme Pinto.
O comandante do Bope, tenente coronel Carlos Sarmento, desconfiou quando as operações começaram a não apresentar resultado

Foragido

Dos cinco suspeitos, o único que ainda não foi preso é Rodrigo Meleipe Vermelho Reis, que está de férias em Miami, nos Estados Unidos. Na casa do policial, agentes encontraram cerca de R$ 70 mil.
Produtos exibidos pelo policial do Bope em sua página no Facebook
Em seu perfil no Facebook, Meleipe exibe roupas, bolsas e outros produtos. Ele tem um segundo perfil, denominado Rodrigo Meleipe Impo, que oferece relógios, bolsas, perfumes e iPhones para venda.

O soldado Rodrigo Meleipe deitado sobre uma pilha de roupas
De acordo com as investigações, a quadrilha era liderada por Silvestre André da Silva Felizardo. Ele era lotado no Bope até dezembro, quando foi transferido para o 15º BPM (Duque de Caxias), na Baixada Fluminense. De lá, arregimentou os outros quatro PMs, um de cada plantão do Bope, para obter as informações sobre todas as operações. //extra.
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