terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Coronel diz, em delação premiada, que oficial preso em operação negociou pagamento de propina com ex-comandante da PM

O coronel José Luís Castro Menezes
Em seu acordo de delação premiada com o Ministério Público estadual, o coronel Décio Almeida da Silva — ex-gestor do Fundo de Saúde da PM (Fuspom) e um dos 11 oficiais da corporação denunciados na operação Carcinoma, realizada na última sexta-feira — relata uma conversa que envolve num esquema de propina os coronéis Ricardo Pacheco, ex-chefe do Estado-Maior da PM e preso na operação, e Luís Castro, que comandou a Polícia Militar entre agosto de 2013 e novembro de 2014. O MP pediu que o ex-comandante da corporação seja investigado sobre as denúncias. O coronel Luís Castro afirmou que só vai se pronunciar sobre os fatos envolvendo as denúncias de fraude no Fuspom “no final”.
O diálogo descrito pelo coronel Décio fala no recebimento de propinas do jogo do bicho e da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro (Fetranspor). Não são citados valores nem a contrapartida para a propina.
O coronel Décio relata que Pacheco, em data não mencionada, lhe confidenciou ter conversado com o coronel Luís Castro sobre o recebimento de propina da Fetranspor e das quadrilhas que administram o jogo do bicho no Estado do Rio.
O chefe do Estado-Maior administrativo da PM, coronel Ricardo Pacheco
O chefe do Estado-Maior administrativo da PM, coronel Ricardo Pacheco
Castro, então, teria dito que “não havia acerto ainda”. Pacheco, conta Décio na delação, se oferece para fazer os contatos com a Fetranspor e os administradores do bicho, mas o então comandante da PM se esquiva da resposta. Segundo Décio, Pacheco afirma ter entendido que o coronel Luís Castro estava recebendo sozinho a propina da Fetranspor e do jogo do bicho.
O coronel Décio diz que Ricardo Pacheco lhe contou o fato com indignação, pois passou a achar que estava “tomando uma volta” do comandante-geral da PM.
O depoimento em que o coronel Décio fala da negociação foi feito em outubro de 2014, na presença de dois advogados seus, e é um dos dez que o oficial deu ao MP — um deles durou mais de 12 horas.
Outro oficial da PM, o major Helson Sebastião Barbosa dos Prazeres, também colaborou com as investigações que levaram à operação Carcinoma, mas não quis fazer um acordo de delação premiada. Décio e Helson foram denunciados, mas não estão presos.
Procurada, a Fetranspor informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que prefere tomar conhecimento da denúncia para só então se pronunciar sobre o fato. //extra
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